Alice Braga é uma mulher de marcas. Que se dividem entre conseqüências dos sets de filmagens e atos inconseqüentes de menina-moleca. A primeira, e mais grave, foi com 1 ano de idade, quando colocou a mão atrás da máquina de lavar. Levou vários pontos, quase perdeu a mão e demorou a superar a vergonha da cicatriz. Hoje, aos 27 anos, exibe marca mais recente – no joelho, e com orgulho -, fruto da participação de Predadores (previsto para julho), em que divide a cena com Laurence Fishburne.
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Filha da publicitária Ana Maria Braga e do jornalista Ninho Moraes, Lili (como é chamada entre amigos) acostumou-se cedo com os estúdios. Mas, ao contrário do que pensaram quando ela despontou, nunca esteve na cola da famosa tia. Seu padrinho foi Fernando Meirelles, que lembrou da garota “bem brasileira” que fazia comercial na O2 Filmes, sua produtora, e a escalou para Cidade de Deus. “Queria mais o astral dela do que uma criação de personagem”. Da repercussão internacional do longa surgiu o precioso contato com a gente americana, a mesma de Javier Bardem. “Foi ela quem me ajudou a abrir caminhos. Não a troco por nada.”, diz Alice, fazendo questão de preservar a identidade profissional.
Sorte ela teve, mas lembra que nada caiu do céu. Morou nos Estados Unidos para aperfeiçoar o inglês e fez vários testes sem sucesso. Chegou a cursar comunicação e artes do corpo na PUC-SP, mas as oportunidades apareceram e ela resolveu “se jogar”. Então veio o primeiro papel de destaque, em Cidade Baixa, para compor o triângulo amoroso com Lázaro Ramos e Wagner Moura. Com Moura fez cenas violentas, ganhou novos hematomas e aprendeu a acreditar na “entrega com alma”; Será que foi isso que a levou tão longe? Para Meirelles, pesa a seu favor a simpatia instantânea que ela provoca “em quem quer que seja”. E, num recado aos que aspiram ao sucesso, ele diz: “Há atores geniais que simplesmente não conseguem papéis por serem ‘malas sem alça’(sic). Entre um gênio da interpretação que vai ficar criando clima no set ou um bom ator que sai para tomar uma cerveja, fico com o segundo, sem pestanejar”.
De cerveja, Alice entende. Adora passar horas na mesa de bar com amigos. Mas é avessa a polêmicas e política. No Brasil, fora da Vila Madalena (seu reduto favorito), ainda é pouco reconhecida nas ruas, mas já foi abordada no metrô de Nova York. E avisa: “Quero estar em todo lugar”. Isso explica, por exemplo, porque a menina que jogava bola com os meninos da escola aceitou o convite para apresentar Superbonita, programa feminino do canal GNT. “Quis aprender um universo que eu não domino.”
Defensora do nosso cinema, contemporiza que Hollywood é uma indústria estabilizada e que está se abrindo aos estrangeiros. E nega que utilize produções nacionais como refúgio aos trabalhos comerciais de lá. Pavimentando carreira sólida no meio, demorou “uns quatro filmes” para se assumir como atriz, há dois meses recorre à terapia para “se ouvir” e confessa ainda se sentir constrangida no tapete vermelho das pré-estreias. Televisão, quer experimentar. Teatro, também. Alguém arrisca dizer o próximo passo?
Fonte:
Revista Poder - Junho de 2010







